domingo, maio 08, 2005

um pouco de cultura

Aqui vai um excerto de uma entrevista de António Lobo Antunes à revista
Visão (de há umas semanas atrás) onde, às tantas, se evoca a dita "guerra
do Ultramar", em Angola, em que o ilustre Autor tomou parte. Não é em vão
que este senhor é justamente considerado um dos maiores escritores
portugueses vivos. [...]

V: Ainda sonha com a guerra?

ALA: (...) Apesar de tudo, penso que guardávamos uma parte sã que nos
permitia continuar a funcionar. Os que não conseguiam são aqueles que,
agora, aparecem nas consultas. Ao mesmo tempo havia coisas extraordinárias.
Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e,
assim, não havia ataques.

V: Parava a guerra?

ALA: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda
mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são
do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da
guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa
que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos. Eu até percebo
que se dispare contra um sócio do Porto, mas agora contra um do Benfica?

V: Não vou pôr isso na entrevista...

ALA: Pode pôr. Pode pôr. Faz algum sentido dar um tiro num sócio do
Benfica?

1 Comments:

At 5/09/2005 03:00:00 da tarde, Blogger LEÃO DESDENTADO said...

ahahahah post "bem apanhado".

 

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